A elite está no caminho!

nodebate – A crise na Venezuela vai longe sem solução, ainda com mais distanciamento para uma solução amigável, quando se tem na América Latina governos eleitos conservadores e neoliberais, exatamente antípodas das propostas que o chavismo defende e impõe com braço de ferro e recebe apoio de outras nações na região, como é o caso de México e Bolívia.

Numa observação rápida é possível observar que os novos governos eleitos, na sua maioria, para dois exemplos, Brasil e Argentina, se oferecem a ser aliados dos Estados Unidos de Donald Trump. O Republicano, por sua vez, se apresenta para estes mandatários latino-americanos o herói que levará a economia e política de seus países, ao desenvolvimento que não foi possível ao longo de sua história.

Na Venezuela uma oposição com o tradicional apoio do maior império econômico do mundo, os Estados Unidos, há muito luta singular guerra dura para destituir o chavismo para, então, implantar a abertura de mercado e comercialização de petróleo com os amigos do primeiro mundo, numa relação de dependência. Aqui pode estar a grande dúvida da própria população, responsável de fato pela mudança de governo, considerando tempos passados de governos liberais.

Nesta abordagem se somam mais dois problemas difíceis de superação, rapidamente, o fortalecimento de uma oposição política, com liderança forte, o que não ocorreu durante o governo chavista. Muitos já protagonizaram propostas e movimentos, mas não passaram das fases eleitorais, com ganhos pontuais. Surge agora um jovem político, sem conhecimento pela opinião pública fora do país e possivelmente mesmo dentro da Venezuela.

Juan Guaidó, de 36 anos, na presidência da Assembleia Nacional da Venezuela, esvaziada por Nicolás Madura, recebe o apoio multilateral, como salvadora, para fazer a chamada mudança da “ditadura” para reclamada internacionalmente democracia na Venezuela. Sobre ele pesa a incerteza sobre suas condições de levar a oposição, de fato, à frente, ainda que receba milionários apoios.

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Um segundo problema, que se mostra o mais complicado para a oposição, é reunir em torno de si o crédito da população mais pobre do país latino-americano, a exemplo de outras nações da região, uma grandiosa maioria, ainda que sofrendo em demasia com a condição econômica e política nacional. Caso tivesse esta competência o chavismo já seria apenas história, o que não ocorreu, apesar dos ataques midiáticos e diplomáticos sucessivos feitos pelos grandes centros econômicos. O chavismo continua em pé e com o apoio dos militares.

Como na imagem acima, publicada pelo jornal Folha de s. Paulo, em discurso na capital Caracas, o público que se apresenta para o discurso retórico de Guaidó parece contradizer o apoio publicado pelas mídias regionais, o de fortalecimento político da oposição. Como se nota, um espaço que sugere reduzido (sem revelar o público, com enfoque de baixo para cima, destacando o novo líder) onde pessoas ao fundo assistem o discurso do presidente da Assembleia Legislativa, quem evidentemente tem pretensão de chegar à presidência venezuelana, superando nomes conhecidos que assumiram este papel.

Em tempos de comunicação, a própria comunicação passa pelo crivo da desconfiança, porém revela-se com mais facilidade na relação entre a imagem e realidade.

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A política do inimigo

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Imagem UOL

nodebate – nos últimos dias, além das armas com publicidade constante como forma de exterminar a criminalidade, a Venezuela ganha status do inimigo preferencial da política brasileira e argentina. Por tempos os Estados Unidos e países da Europa ganharam proeminência de dominadores, colonizadores das nações subdesenvolvidas, como Brasil e Argentina.

Por certo, não seria difícil, historicamente, entender a exploração de outras nações, numa política global dos países centrais, cuja determinação continua nos dias que passam, de maneira ainda mais sutil. Eleger a Venezuela, no entanto, pode significar uma forma de retirar o alvo do olhar de uma sociedade, que constata a crise na pele e não sabe como sair dela racionalmente.

Encontrar o inimigo é uma forma eficiente de grupos políticos, de responder aquilo que se quer e não discutir o que é necessário esconder, como estratégia de estabelecer propostas impopulares.

A rigor, acabar com Maduro seria uma solução econômica para a América Latina? A entrada de um neoliberalismo já conhecido de velhos carnavais na economia e política de Estado é mesmo o que a população do país sul-americano quer? Qual é a história político-econômica do vizinho? Como pensar a democracia em tempos de capitalismo excludente?

Na Argentina, qual a razão de Maurício Macri vir ao Brasil e condenar veementemente o governo Venezuelano, considerando que convive com uma profunda crise econômica no seu país, o qual governa nos moldes neoliberais, antípoda do venezuelano, porém com resultados sociais pífios?

Questões a serem observadas pelo eleitor brasileiro, de modo a avaliar pontos importantes da política no Brasil.

Afinal, em momento cruciais de um governo autoritário, pode haver necessidade de construção de uma guerra patriótica, quando na verdade não se deve lutar para a existência de conflitos, mas fortes batalhas pela paz, redução da injustiça social, distribuição equitativa de renda, interação civilizada com os países regionais, evitando que os brasileiros se tornem instrumento de políticas dos grandes centros econômicos globais, às cegas.

Em essência, a América Latina não é a Comunidade Europeia e nem mesmo os Estados Unidos, com suas crises política e individualismo secular.

Justiça partidarizada!

nodebate – Cristina Kirchner continua de pé, ainda que afirme ser candidata para à eleição presidencial de 2019, na Argentina. Denúncias contra a ex-presidente não faltam na justiça, com pedido que seja retirado sua imunidade parlamentar, da senadora, para assim ser presa, preventivamente, como avalia juiz do caso.


Imaginar que Kirchner tenha participado de atos ilegais é possível e exige averiguação da justiça, honestamente. Porém, nos tempos atuais abre-se amplo espaço para compreender que a justiça se mistura com política partidária, de modo a agir contra nomes que podem envergar determinações conservadoras.


Críticas neste sentido não faltam na América Latina afora, com denúncias e determinação de prisões: no Brasil, Equador, Argentina, Peru. Seria razoável acreditar que lideranças econômicas na globalização organizaram fortes movimentos que conduzem, com competência, a difusão do neoliberalismo mundo afora.


Neste ínterim estão a redução do Estado com perda de direitos de trabalhadores, diminuição da inteligência nas universidades públicas e esvaziamento do sistema educacional para a reflexão, desde a infância, incentivar amplamente a meritocracia em todos os lugares para mais produtividade individual.


O poder de difusão desta política, pode parecer exagerado, mas não se pode duvida de estratégias para o convencimento da classe média, o fiel da balança política, que idealiza o direito de ascender ao grupo dos milionários, nesta ilha de riqueza construída na propaganda neoliberal.

Os enigmas da política

nodebate – Por anos ocorreram disputas acirradas na Argentina entre a Família Kirchner no poder por três mandatos (Néstor e Cristina duas vezes) e a oposição, liderada por grupos empresários exportadores e produtores rurais, o agronegócio argentino.

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Com a vitória do milionário Mauricio Macri venceu também a oposição gloriosa, que usou jornais tradicionais do país para elevar dados negativos do governo nacionalista dos Kirchner. Não foram raras as informações do aumento da pobreza, com disputas acirradas nas ruas, com movimentos promovidos pela classe média e elite econômica.

Escrito nas estrelas que a queda do Kirchnerismo seria a alquimia para o enriquecimento do país do Rio da Prata. No entanto, a chegada do neoliberalismo avassalador de Macri, levou a país à recessão muito rapidamente. A própria mídias que apoiou com ênfase a mudança política anuncia, nos tempos idos, perda no produto interno bruto do país (riqueza produzida em um ano), em 3,5% em 2017.

Em outras palavras, mais pobreza, inflação e exclusão social. Como nós brasileiros já conhecemos de experiência, quem paga a conta não é exatamente que a faz e recebe os benefícios do erário público. A população do andar de baixo, sente na pele a perda da qualidade de vida, com mudanças de direitos trabalhistas e diminuição dos valores das aposentadorias.

A extrema direita neoliberal tem um projeto arrojado para o mundo, mais riqueza em uma ilha de prosperidade, mas é difícil saber quem poderá ter lugar ao sol, neste lugar distante, que parece, no fundo propaganda de fantasia, aos moldes dos personagens nos roteiros da Walt Disney.

Dividir e dominar!

nodebate – O presidente eleito do Brasil, depois de convite enviado para governos da Venezuela e Cuba, para a posse em janeiro, decidiu desconvidar os dois líderes políticos. O que se passa é o uso das mídias tradicionais e redes sociais para criar constrangimento às nações vizinhas, coma clara vocação de acenar para o amigo do norte, visto como o império global,com proposta de domínio secular para a América Latina.

Trump e Bolsonaro
Foto – BBC Brasil/ AFP

Como declara o líder brasileiro de extrema direita, na rede social, “naturalmente, regimes que violam as liberdades de seus povos e atuam abertamente contra o futuro governo do Brasil por afinidade ideológica com o grupo derrotado nas eleições, não estarão na posse presidencial em 2019. Defendemos e respeitamos verdadeiramente a democracia.”

Importante notar é que na política ninguém anda só, existirão sempre grupos políticos que se relacionem ideologicamente. O novo governo propõe iniciar mandato com as facas nos dentes, criando desnecessariamente uma divisão latino-americana, que por certo, nesta tomada de decisão arbitrária e pouco inteligente, não contará com o apoio de Colômbia e Chile, os quais Bolsonaro quer, publicitariamente, como parceiros.

Em visita ao Chile, o deputado Eduardo Bolsonaro, na semana passada, chegou afazer elogios a Augusto Pinochet, militar presidente de triste memória para o país e a América Latina, quando foi decisivo e subserviente agente que respondeu aos interesses dos Estados Unidos para a queda do então presidente eleito Salvador Allende (1970-1973), que sofreu boicote econômico e suicidou-se, ainda durante o golpe de Estado.

O mais inusitado para quem principia na liderança do Brasil, é saber que na política externa não impera o controle externo de qualquer país isoladamente. Para além disso, nem mesmo para os Estados Unidos haverá garantias de que Donald Trump, herói do presidente eleito brasileiro, continuará no poder, com a soberania dos Republicanos.

Neste pensamento, na América Latina, o chileno Sebastián Piñera, e o grupo político de Álvaro Uribe na Colômbia – hoje, o país é governado por seu aliado político, Iván Duque Márquez – se manterão na crista da onda, em nações de amplos conflitos sociais e políticos. Na Argentina, Mauricio Macri demonstra dificuldade para governar, com protestos nas ruas, com frequência mais que desejável para uma democracia, quando a população questiona o neoliberalismo global, implantado na nação mais europeia da América Latina.

Não há dúvida de que o governo de Bolsonaro surfa na maré de um jornalismo nacional que se movimenta de costas para a região, no entanto, por décadas assiste a gangorra política na região, com diferentes ideologias que chegam ao poder, sem definitivamente assistir à estruturação do capitalismo e neoliberalismo hegemônico global.

América Latina em tempo de guerra

nodebate – A Rússia vai mostrando sua garra mundo afora. Os venezuelanos devem observar no céu de seu país a chegada de caças enviado por Vladimir Putin, com a clara proposta de fazer sombras às ameaças dos Estados Unidos à nação latino americano e seus aliados na região.

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Pode se especular a preocupação dos “comunistas do passado”, como dá a entender os neoliberais pós-modernos, com o governo de Bolsonaro, diante de sua retórica para a política regional.

Somente para resumir a visão do ex-capitão é pra lá de simplificada quanto à América Latina. No entanto, traz ameaça ao Mercosul e a governos antípodas aos Estados Unidos.

Pode até ser uma alegria para Maduro e venezuelanos que apoiam o seu governo, contra as cordas em razão das imposições econômicas do governo dos EUA.

No entanto, desenha-se uma triste realidade de crises, que podem se abater na região, sobretudo, ao países do sul, diante da subserviência ao capitalismo trumpista da maior nação regional, a partir de janeiro, com o novo timoneiro, agora, de fato, extrema-direita e liderança de superministro da fazenda, um neoliberal convicto.

América Latina para o progresso

nodebate – Para muitos brasileiros a América Latina é apenas um lugar no mapa, sem qualquer reflexo para os nativos, o que pode ser um engano deplorável.

Embalados por uma mídia que aplaude o neoliberalismo europeu e estadunidense, considerando ser o único caminho para o desenvolvimento, sem levar em conta a cultura latino-americana, vista equivocadamente como atrasada e primitiva.

Resta analisar com atenção o passado histórico brasileiro na dependência dos países desenvolvidos. O Brasil não consegue alavancar sua indústria, se tornando simplesmente a nação do agronegócio, para venda de produtos primários – regiões que envolvem Sul e Centro-Oeste, que nas últimos eleições, grande parte de eleitores votam, na extrema direita, legitimando-a.

Uma política em sintonia com governos que desejam o Brasil tão somente como amigo, que articule a política da região para impedir oposição ao modelo salvador para os grandes centros.

A América Latina pode não ser um berço da prosperidade, mas a união de forças entre os países regionais pode ser um dos poucos caminhos para o desenvolvimento econômico e social, que atenda a maioria dos brasileiros.

De fato, o governo de extrema direita de Bolsonaro fará exatamente o contrário, abrindo as fronteiras social e financeira de um Brasil que continua do futuro, em sucessivas crises, que afetam milhares de famílias, principalmente àquelas na periferia deste sistema financeiro no poder.

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